sexta-feira, outubro 19, 2007

Imagens de um Congresso..

segunda-feira, outubro 15, 2007

Luta

Praia de Paimogo, Lourinhã




Por hoje chegou ao fim a minha luta contra o sono.
Tentei resistir, mas ele vem caminhando compassada mas certeiramente.
Eis que retiro a minha armadura, para descansar.
Se bem me lembro, hoje é já a segunda vez que dela me dispo e exponho as fraquezas do meu ser.
Pouso também a espada, porque desconheço o inimigo contra qual luto.
Depois o arco e as flechas.
Não pretendo atingir ninguém, para além de mim própria.
Honestamente, nem sei porque vou à guerra.
Talvez porque o meu feitio não me permite desertar, sem mais nem menos, nem desfalecer.
Da convicção não há fugas, nem desculpas, nem subterfúgios.
E sei que amanhã vou acordar e tornar a vestir a armadura, a embainhar a espada e a carregar o arco e as flechas.
Parto, mais um dia, para a luta, numa guerra que sei perdida.
Parto na ingenuidade e no encanto de talvez poder vencer uma batalha.
Ou duas.
Ou, quem sabe, embalada neste sonho, até mais.
Parto para a guerra que sei perdida, vencida.
Se desistisse não estaria a ser fiel a mim própria.
Lutando mantenho-me fiel ao que sou, arriscando-me a sair ferida da luta.
Mas não me interessa.
Amanhã bem cedo, quando o dia raiar em mim, sei que me vou levantar e armada parto para mais uma batalha.
Na face levo uma lágrima e no coração o sorriso de quem luta ainda por aquilo que sabe já perdido.


Vimeiro, 06 Julho 2007, FML




Foto de Luís Graça

sexta-feira, outubro 05, 2007

Momento político do ano!

Não resisti a colocar aqui este post.. loool

Portugal 2009!!!

sábado, setembro 15, 2007

enDIREITAr o Partido

Há algum tempo, entraram em contacto comigo, para ser Mandatária do Dr. Luís Filipe Menezes, nestas eleições directas à Presidência do partido. Depois de ponderar, aceitei o convite que me dirigiram. E passo a partilhar com todos os militantes, simpatizantes e simples cidadãos interessados pela vida em sociedade, os motivos que me levaram a fazê-lo. Fi-lo, sobretudo, porque acredito neste partido, de alma e coração, como Francisco Sá Carneiro o idealizou, acredito na matriz social democrata, no pilar de L.I.S. (Liberdade, Igualdade e Solidariedade) que Sá Carneiro preconizava.

E entendo que não se vivem dias fáceis. Não se vivem dias fáceis no País, não se vivem dias fáceis na Oposição e também não se vivem dias fáceis no PSD. O país está sem rumo, muitas pessoas que votaram no PS, que deixou de ser Partido Socialista para ser o Partido de Sócrates, estão arrependidas de lhe terem confiado o seu voto, mas olham em volta e não vêem uma alternativa forte e coesa. A Oposição vive dias tormentosos. Nem o regresso enevoado do D. Sebastião do PP produziu os efeitos que os Portistas esperavam. Nada surte efeito. E o PSD, estando em posição privilegiada de "sugar" eleitorado à direita, ao PP, e ao centro, ao PS (que tem vindo a adoptar até algumas medidas tradicionalmente catalogadas como de direita), não tem captado atenções nem intenções de voto.

Pessoalmente, prezo a pessoa do nosso Presidente, Dr. Marques Mendes. Devo-lhe, e penso que devemos todos, respeito e consideração, pela pessoa que é, séria e credível. Admito a evidente simpatia que nutre pelo Oeste, mas acredito que a Política não é feita de simpatias nem de afectos. Se assim fosse, não distinguiríamos um partido de um grupo de amigos. Um partido tem ideias, tem caminhos traçados. Um partido não tem afectos, tem convicções!

Encaro a candidatura do Dr. Menezes não como qualquer afronta, mas como sinal inequívoco de que o PSD está (bem) vivo e recomenda-se! É sinal de que existe pluralidade de opiniões e de caminhos, para chegar a um só fim: a social democracia. Nesse sentido, vejo no Dr. Menezes um vigor próprio de quem ainda não foi Presidente, de quem tem ideias novas, projectos e sonhos para a liderança do nosso partido. Admiro a obra que tem realizado, bem visível, basta colocarmos os olhos em Gaia. E creio que a renovação é sempre uma lufada de ar fresco e quer queiramos aceitar, quer não, a verdade é que há muito que o Dr. Marques Mendes anda nestas lutas, há muito que se bate à frente do PSD, e os anos provocam o natural desgaste que provocariam a qualquer ser humano, sendo que o nosso Presidente não é excepção.

Por outro lado, nunca na rua ouvi tanta gente que não é do PSD falar sobre nós. O PSD voltou a ser assunto, tema de conversa, voltámos à ribalta (no bom sentido da expressão). As pessoas começam a simpatizar e a identificar-se com a renovação e com algumas ideias sugeridas pelo Dr. Menezes. E, caros companheiros e amigos, decerto valerá a pena todos ponderarmos bem as ideias e sugestões de cada um, ouvirmos e lermos as suas entrevistas e intervenções.

Entretanto, a onda vai crescendo. E a mim, que acredito, cabe-me lutar para que a onda cresça ainda mais. Os que me conhecem sabem que assim é. Posso dar-me ao luxo de pertencer ao nosso partido por hobby, por amor à camisola. Nunca estive nem estou dependente do nosso partido profissionalmente. E assim quero sempre permanecer, para poder lutar por convicções, por aquilo em que realmente acredito! Acredito no Dr. Menezes. Acredito no projecto que ele me expôs e aos poucos vai desvendando a todos.
Somos todos PSD. E seremos ainda mais PSD e mais fortes depois destas eleições.

Fernanda Marques Lopes
Mandatária Distrital Lisboa/Área Oeste para a Juventude
juventude.do.oeste.com.menezes@gmail.com

quarta-feira, agosto 08, 2007

'Silly Season' *

Após algum tempo de ausência, motivada pelo trabalho e por outras actividades que iniciei, eis que não consigo ir de férias sem antes partilhar com os leitores algumas reflexões. E aproveito também para confessar as saudades que tinha em escrever algumas linhas. Posto esta introdução, traço algumas ideias sobre as quais me debruço, antes de partir rumo às apetecíveis e desejadas férias.


A silly season, como é designada por alguns, está aí. Com as temperaturas altas e os dias solarengos, chegam as férias, aqueles dias almejados durante todo o ano, em que a maioria de nós opta pelo descanso e por introduzir no seu quotidiano práticas que não tem durante o resto do ano.


Que assim seja no Verão, em período de férias, não me assusta particularmente. Afinal, o ser humano tem necessidade de quebrar a rotina e de variar um pouco, descansar, viajar, descomprimir, visitar outras paragens. Afinal de contas, as pausas servem para libertar o corpo e a mente do stress rotineiro que nos corrói no quotidiano.


O que realmente me assusta e não me deixa tranquila, é a apatia que de muitos se apodera, ao longo de todo o ano, ao abrigo da qual alguns se despem da sua veste de cidadania e se alheiam por completo ao mundo que os rodeia, ao país e à sociedade em que estão inseridos. E isso acontece quando, por exemplo, o telejornal não é seguido atentamente e quando passa a ser mais um acompanhamento do almoço ou do jantar, como se de uma salada se tratasse. Mas já que os corpos vão a banhos, sugeria que não colocássemos também de molho as nossas consciências críticas.


É importante não esquecer que vivemos num país onde professores com provas dadas são suspensos por fazerem piadas sobre governantes ou, quiçá pior ainda, são obrigados a trabalhar quando são portadores, devidamente comprovados, de doenças que os incapacitam para tal. Num país onde um governante classifica a Margem Sul como um “deserto”. Num país onde um Ministro sugere que os utentes devem pagar 25 euros por consulta médica, caso ultrapassem as três consultas por trimestre. Que raio será isto? Gosto por estar doente? Vício de esperar em longas filas, para onde se vai às 6h da manhã para conseguir uma consulta? Vivemos num país mergulhado na baixa natalidade, mas onde se fecham escolas e maternidades, enquanto se abrem clínicas de aborto. E até onde se sugere que as interrupções voluntárias da gravidez não paguem taxas moderadoras (mas não esquecer, mais do que três consultas por trimestre é que não...). E quando cremos que não pode piorar, eis que vem um Ministro sugerir, num debate, que se dêem os medicamentos fora de prazo aos economicamente desfavorecidos. Será isto a tão proclamada igualdade? Talvez não nos apercebamos, agora nesta época do ano em que reina a praia, o calor, os petiscos e a boa disposição, do estado a que Portugal chegou. O país conta com enormes fossos sócio-económicos, trapalhadas mal explicadas, impunidades caladas, vigarices abafadas. E todos os dias se desperdiça o potencial de tantos e tantos Portugueses. Sim, porque todos nós somos o Estado, mas não somos nós que dirigimos o Estado. Elegemos democraticamente quem o fizesse, mas a verdade é que estamos na presença de um condutor encartado sem experiência, que bate sucessivamente noutros veículos que com ele circulam na via pública, que faz manobras perigosas e abusa das ultrapassagens vertiginosas. Elegemos alguém que nem estacionar sabe, que não tem a humildade de inverter o sentido de marcha quando vai mal. E é a este condutor inábil que alguém tem de pôr um travão. A verdade é que a Oposição está desgastada e confusa, repleta de mudanças internas e de guerras e guerrilhas de liderança. Haverá alguém capaz de travar este desvario?


Que nos não deixemos adormecer, pelo menos que não deixemos as nossas consciências sucumbir ao calor e saibamos sempre acompanhar o que à nossa volta acontece. Votos de boas férias a todos.


* Em termos jornalísticos, é habitual chamar-se ao Verão a ‘silly season’. Traduzindo, quer dizer qualquer coisa como a ‘época louca’. E é assim porque, por ser época alta nos destinos turísticos, as notícias entram, por assim dizer, em época baixa e dão lugar às histórias bizarras, às curiosidades, ao inusitado… Enfim, dão lugar a tudo o que, normalmente, não seria notícia.

segunda-feira, março 12, 2007

Vila Natal vs. Vila Jurássica

A vila de Óbidos acolheu, de 1 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007, a iniciativa ‘Óbidos Vila Natal BES’, por onde passaram mais de 155 000 visitantes, duplicando o número de visitas esperadas para este evento e evidenciando o seu notório sucesso. Milhares e milhares de pessoas renderam-se ao charme da encantadora vila obidense, o primeiro parque temático do País e da Europa alusivo ao Natal, promovido pelo Município de Óbidos e com a intervenção do Banco Espírito Santo, na qualidade de Mecenas.

Tive a oportunidade de visitar a Vila Natal, onde fui surpreendida pela variedade de espaços recriados e embelezados, com o particular objectivo de encantar o imaginário infantil, apesar de agradar tanto a miúdos como a graúdos. Cruzei-me com dezenas de animadores, entre os quais Duendes, Renas, Bonecos de Neve e, claro, quem não poderia faltar a este evento: o Pai Natal. A iniciativa contava com diversos atractivos mágicos, dos quais saliento a Pista de Gelo, a Aldeia do Pai Natal e o Presépio e ainda todas as iniciativas que passavam por concertos, desfiles, decoração das ruas e até a queda de neve artificial!

Tenho também conhecimento de que existiram acções de cariz social e solidário, tendo sido distribuídos dezenas de presentes a crianças desfavorecidas de algumas instituições, pelas mãos do jogador Cristiano Ronaldo, e tendo mesmo existido uma campanha para oferecer um cabaz de natal às famílias mais carenciadas do município, mostrando que não se tratou só de um projecto económico, que porventura ofuscaria a magia e o verdadeiro sentimento do Natal. Veio a provar-se o contrário.

Nas palavras de Telmo Faria, presidente da Autarquia, "três objectivos dominaram este evento: o Natal, a Solidariedade e a Família e foram, claramente, atingidos. A revitalização económica também foi muito importante. A Óbidos Vila Natal Banco Espírito Santo foi um bom exemplo de como é possível dinamizar economicamente um vasto conjunto de actividades, com uma grande ocupação na hotelaria, restaurantes e no comércio em geral. Por outro lado, com este evento a imagem da Vila de Óbidos gerou para o exterior a dinâmica de uma vila forte. Foi um indiscutível promotor do concelho". E o Presidente não se engana e os números assim o mostram. Dos 155 000 visitantes, cerca de 60% foram crianças, 5 toneladas de guloseimas foram vendidas, o volume de negócio dos comerciantes locais, em média, quintuplicou, e chegou mesmo a decuplicar no caso de alguns comerciantes, imagine-se bem!

De repente, parto de Óbidos e o sonho e o encanto desvanecem. Chego à Lourinhã, a Vila Jurássica que tanto gosto. Não há luz, nem a cor nem o brilho de projectos como este que bafejou Óbidos de visibilidade económica e que proporcionou a milhares de pessoas momentos de lazer de indiscutível qualidade.

Analisando a questão, e não tirando o mérito a Telmo Faria e a toda a uma equipa por detrás do projecto ‘Óbidos Vila Natal’, o Natal existe em todo o lado. Não é algo exclusivo ou próprio de uma terra, que nos conduza a uma clara identificação. Apesar de tudo, foi feito investimento e esquematizada toda uma estratégia de marketing, que conduziu ao sucesso da iniciativa.

Já nós, na Lourinhã, temos o privilégio de ter os dinossauros, alguns deles achados únicos e inigualáveis em todo o mundo. Somos a Capital Europeia dos Dinossauros. E do que nos serve isso? É certo que é de louvar o esforço do Museu da Lourinhã, por tudo o que tem feito em prol dos dinossauros, mas já se pede mais a uma terra que tem todo este património do que simplesmente o mostrar num museu, semelhante a qualquer outro museu de uma qualquer outra autarquia. Pede-o a Cultura e pede-o também a Economia, o Desenvolvimento, o Progresso, que têm de ser palavras cada vez mais comuns no nosso quotidiano e não umas longínquas desconhecidas.

Não posso deixar de referir o projecto de criar um Parque Temático dos Dinossauros, promovido pela Coligação Novos Rumos (PPD/PSD-CDS/PP), nas últimas Eleições Autárquicas. Este Parque, tirando partido dos achados de dinossauros, pretendia lançar uma indústria de lazer, divertimento, conhecimento e ciência, que impulsionasse a Economia e o Turismo. Pretendia-se um projecto arrojado, em que este Parque, devidamente integrado por um arranjo paisagístico, possuísse zonas de lazer, divertimento, desporto, áreas de restauração, hotelaria, um Museu dos Dinossauros, uma Biblioteca, um Centro de Ciência Viva, um Pavilhão Multiusos com Centro de Congressos e uma Sala Espectáculos.

Havia já contactos com diversas equipas de técnicos, especialistas e investidores nacionais e estrangeiros que manifestaram o propósito de investir na Lourinhã, tirando proveito das suas potencialidades, pois é zona de praia e de campo, muito próxima da capital do país.

Na altura da campanha, foi bastante criticado por se falar na hipótese de criar cerca de novos 500 empregos directos e indirectos e por se anunciar a atracção de 300 000 visitantes por ano. Houve quem nos chamasse de utópicos, sonhadores e quem até sugerisse que não existiria seriedade intelectual e honestidade política em anúncios desta natureza. Recordo-me até da polémica que um cartaz colocado numa das rotundas da Lourinhã, junto ao Centro de Saúde, provocou. Como o tempo clarifica as coisas e nos vem mostrar a Razão, (à semelhança da História, que tem o dom de nos poder julgar sem punições maiores no Futuro do que aquelas que já temos no Presente), creio que seria importante o nosso Poder Local colocar os olhos em Óbidos e em Braga, onde nunca foram descobertos dinossauros, mas onde existe um parque temático a eles dedicado: a ‘Bracalândia’.

Em suma, Óbidos é a Vila Natal e Lourinhã a Vila Jurássica, em Óbidos é tradicional a ginja e na Lourinhã a aguardente (que integra uma das três zonas demarcadas no globo, sendo que as outras duas se situam em França), Óbidos é Vila Medieval e tem o encanto das suas muralhas e a Lourinhã é vila de praia e de mar, de campo, zona rural, de rara beleza. Diversos paralelos poderiam ser estabelecidos, mas só a antítese salta aos olhos de todos: Óbidos tem uma Autarquia Local dinâmica, com governantes auspiciosos e empreendedores, dinâmicos… já a Lourinhã mergulhou no marasmo e contenta-se com as migalhas do progresso e conforma-se em ser uma Vila e um Município igual a tantos outros. Cabe-nos a nós, lourinhanhenses, inverter o rumo das coisas, trazer Novos Rumos. Seremos capazes de aceitar este desafio?

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Tolerância Zero

Assinalou-se, no passado dia 25 de Novembro, o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres. Em Portugal, a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) assinalou o dia com a divulgação de um estudo, encarado como uma forma de "denunciar e alertar as autoridades e a sociedade para uma situação preocupante em Portugal", nas palavras de Elisabete Rodrigues.

É uma data que, infelizmente, senti necessidade de focar, para lembrar que, hodiernamente, em pleno século XXI, muitas e muitas Mulheres são ainda vítimas de violência e de discriminação, das mais variadas formas.


Em média, uma em cada três Mulheres sofre de violência na sua vida, segundo um relatório do Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, divulgado em Outubro. A violência sobre as Mulheres, ao contrário do que se possa imaginar, é um fenómeno transversal, que atravessa vários países, religiões, culturas, idades e estratos sociais. Também nada de mais errado pensar que esta violência se restringe à violência doméstica. Com efeito, a palavra violência deve, neste contexto, ter uma interpretação extensiva e suficientemente ampla para abarcar cenários como o do tráfico humano, da violação sexual, da discriminação social, educacional, religiosa ou laboral, entre outras.

Sou uma pessoa com uma opinião muito própria acerca do prisma pelo qual devemos observar as Mulheres. Por um lado, abomino a ‘síndroma das coitadinhas’, que julgo não ser verdadeira, porque nem sempre somos mal tratadas e negativamente discriminadas, há que o realçar, e sou contra medidas como a famosa lei da paridade eleitoral, a lei das quotas, que estabelece um limite mínimo obrigatório de Mulheres nas listas eleitorais, pois julgo que não é assim que ganharemos o respeito dos outros, nomeadamente dos Homens, e a legitimidade para ocuparmos o cargo para o qual fomos eleitas, além de que as Mulheres de qualidades e competências bem vincadas não necessitam, em nada, destes trampolins para alcançar o que quer que seja. Contudo, por outro lado, não posso ser cega e autista ao ponto de dizer que não existem desigualdades, discriminações negativas e prejudiciais, desrespeito.

E não se pense que se trata meramente de uma questão de opinião, como é aquela que tenho acerca das quotas eleitorais. Neste caso, os dados assumem proporções verdadeiramente assustadoras e falam por si, se pensarmos que: a violência contra as Mulheres é a maior causa de morte e incapacidade para as Mulheres entre os 16 e os 44 anos; causa tantos danos como muitas doenças ou acidentes de viação; nos E.U.A. uma Mulher é violada a cada 90 segundos; em 28 países de África a mutilação genital ainda é praticada; 80% dos refugiados de conflitos étnicos e políticos são do sexo feminino; 1 Mulher morre a cada 3 dias, vítima de maus tratos em França; na Austrália, no Canadá, em Israel, na África do Sul e nos E.U.A., entre 40 a 70 por cento das Mulheres assassinadas são-no pelo seu marido ou companheiro; no Brasil, 1 Mulher é espancada em cada 15 segundos, ou seja, 2,1 milhões por ano; no Sudeste Asiático, crimes de honra e discriminações são o dia a dia de muitas Mulheres; no Afeganistão, os suicídios por imolação de jovens adolescentes obrigadas a casamentos forçados estão a aumentar, sendo que os casamentos forçados representam, naquele país, entre 60 a 80 por cento das uniões; e em Portugal, 50 casos diários de violência doméstica chegam ao conhecimento da PSP/GNR. Só entre Novembro de 2005 e o mesmo mês deste ano morreram, em Portugal, 37 mulheres vítimas de violência doméstica, revela o estudo apresentado recentemente pela UMAR.
Também não podemos colocar de lado o custo económico da violência contra as Mulheres, apesar deste ser bastante diminuto, quando comparado com factores humanos. Os custos são extremamente elevados, relacionados com o gasto directo em serviços médicos e de saúde e com a perda de produtividade, decorrente da incapacidade da Mulher, em consequência dos maus tratos sofridos. A UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para as Mulheres), com sede em Nova Iorque, por exemplo, deverá gastar este ano cerca de 3,5 milhões de dólares, mais do dobro do ano passado, para lutar contra a violência infligida às Mulheres.


Também neste sentido ouvi, há alguns dias, na comunicação social, com agrado, confesso, que o Governo pretende implementar a isenção do pagamento de taxas moderadoras para as Mulheres que acorram aos centros hospitalares, vítimas de violência. Além disto, o Governo pretende ainda dotar os centros hospitalares de apoio psicológico para acompanhar melhor estas Mulheres e tratar-lhes não só das feridas do corpo, mas também das da alma, porventura, muitas vezes, mais dolorosas e difíceis de sarar. Penso que muito mais há a fazer, mas isto também é importante, apesar de não ser no âmbito da prevenção, mas sim no apoio após-agressão.


Também ainda neste contexto, a ONU congratulou-se de ver que 60 Estados em todo o mundo tinham adoptado leis contra a violência conjugal e familiar. É bom que tenhamos começado a percorrer este caminho, mas não nos iludamos, muitas etapas faltam ainda!
O Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres é uma iniciativa da ONU e do Conselho da Europa e serve para debater o assunto e dar visibilidade às vítimas da violência, quer através de espancamento, violência conjugal, crimes de honra ou casamentos forçados. Este tornou-se um dia oficialmente dedicado ao combate às violências que, infelizmente, teimam em proliferar. É um dia para lembrar, meditar, reflectir e pensar quais as formas que temos para lutar contra estas vastas e persistentes violações de Direitos Humanos. Tudo porque, até em sociedades civilizadas, a barbárie teima em persistir.

terça-feira, outubro 31, 2006

Cultura Democrática – (O)Posição

‘Oposição’: “conjunto de organizações políticas contrárias às directrizes do governo de um Estado” [1]. Esta definição, transportada para a realidade local, significa que se entende por ‘oposição’ o conjunto de organizações políticas cujas ideias não se coadunam, na íntegra, com as directrizes que o Poder Local em exercício escolheu, tão somente isto. Esta é a definição positiva de ‘oposição’, é aquela em que me revejo e revejo o grupo onde me insiro. Ser oposição não é estar sempre do contra, numa postura de deitar abaixo, não é ser estéril de ideias e surgir apenas para contrariar e dizer mal. Muito pelo contrário.


No início deste mandato, do qual tomámos posse no dia 27 de Outubro de 2005, o grupo ‘Novos Rumos’ esclareceu quais os seus intentos, lembrando os “4 anos de trabalho pela frente, 4 anos de empenho, 4 anos de dedicação”, estando todos certos de que estamos “unidos no mesmo objectivo: o progresso, o desenvolvimento e o melhoramento do Concelho da Lourinhã”. Foi ainda frisado que “em democracia, é tão digno governar como ser oposição e, à oposição, cabe um papel importante: o de contribuir para o bom governo de todo o Concelho, apresentando propostas, fazendo reparos; condicionando decisões”, sendo possível, muitas das vezes “encontrar pontes de acordo, plataformas de entendimento e espaços de unidade, fazendo prevalecer os interesses do Concelho acima de quaisquer interesses partidários [2]”.


Nas últimas sessões da Assembleia Municipal muito se tem falado sobre a forma como a Oposição tem desempenhado o seu papel. Ora, parece-me despropositado que a bancada da maioria se preocupe mais com o modo como a Oposição gere a sua actuação, do que propriamente em apresentar propostas, ideias, sugestões, eventualmente fazer alguma crítica sobre matéria de índole municipal. A Oposição é intérprete de si própria e autónoma. Somos um grupo distinto, heterogéneo na sua composição, mas homogéneo nos princípios pelos quais nos guiamos e nos objectivos que perseguimos, somos um grupo empenhado.


Na última sessão da Assembleia Municipal, decorrida no passado dia 29 de Setembro, muito se falou, metaforicamente, nos ovos e nas omoletes. Segundo a bancada socialista, não é possível ao Executivo fazer omoletes sem ovos. É verdade. Contudo, queremos alertar para duas coisas: primeira, há que ver se é proporcional a quantidade de ovos para as omoletes feitas, ou seja, que não se utilizem demasiados ovos para tão poucas omoletes, evitando o desperdício; segunda, há que fazer bem as omoletes. Raúl Leitão, Vereador dos Novos Rumos, pedindo para usar da palavra, elucidou que o que existe são duas formas distintas de pensar e de gerir o Município. A Oposição apenas acredita noutros moldes de governação, onde se recorre a uma gestão mais eficaz, que evita desperdícios, em vez de contrair sucessivos empréstimos, que só endividam cada vez mais a nossa Autarquia. É certo que os empréstimos pedidos se destinam a obras por vezes essenciais ao Concelho, contudo porque não poupar e racionalizar meios, em vez de estar sempre a pedir verbas emprestadas? Gerir uma Autarquia, numa comparação muito simplista e redutora, é como gerir um lar. Sabemos que temos despesas certas, mas para conseguirmos controlá-las é preferível optar pela poupança e racionalização dos meios, em vez de recorrer sempre ao crédito. É um princípio elementar para qualquer dona-de-casa. É claro que uma Autarquia conhece dimensões muito maiores, mas a analogia continua a ser válida. Não se trata, portanto, de uns estarem sempre correctos e outros sempre errados, trata-se, sim, de assumirmos as nossas diferenças, sobre a forma, sobre os meios e sobre os instrumentos que entendemos serem os mais eficazes para alcançar os objectivos a que nos propusemos.


Orgulho-me de pertencer a uma Oposição que efectivamente toma posições sobre os mais diversos assuntos e que os traz às sessões da Assembleia, palco privilegiado para estes debates e discussões, sessões essas onde cada membro da nossa bancada que pede a palavra a usa para apresentar as suas ideias, as suas propostas, as suas críticas, e não para atacar gratuitamente algum colega. Nós discutimos os assuntos, as preocupações, as ideias, não as pessoas. Cada membro da Assembleia, quando entra para uma sessão, deve despir-se das empatias ou antipatias pessoais e vestir a pele de Autarca. O lado pessoal fica lá fora, onde todos ou quase todos somos companheiros, conhecidos ou amigos, onde tenho amigos das mais variadas ideologias ou mesmo apartidários. Orgulho-me de pertencer a uma Oposição que tem opinião e que a manifesta, quer no decurso das sessões, ficando a mesma registada em Acta, quer publicamente, seja através do diálogo ou da publicação de artigos na imprensa local, tão criticada por alguns. Fomos eleitos pelo Povo e para o Povo. Se temos muito gosto que os nossos eleitores se desloquem às nossas sessões (centralizadas, por vontade da maioria socialista, uma vez que a Oposição desejava descentralizá-las, como já referi num outro artigo), por outro lado temos também de pensar naqueles que, por qualquer motivo, não se podem deslocar, mas são tão merecedores de serem informados do que se passa, como todos aqueles que temos o prazer de receber no edifício dos Paços do Concelho. E queremos que todos saibam que nas nossas intervenções nos dedicamos não a atingir A ou B, mas sim nos debruçamos sobre assuntos, em concreto, do interesse dos Munícipes, tais como a falta de Água e a qualidade da Água abastecida, os Impostos, o encerramento do S.A.P. da Lourinhã, as infra-estruturas básicas de Saneamento, a Cultura, o Ensino, a Juventude, a protecção dos Animais, entre tantas outras coisas. É tão rico e vasto o nosso leque de intervenções, dos nossos membros, que muito me estenderia se aqui o enumerasse todo.


Falta, pois, ainda, Cultura Democrática na Lourinhã. Falta saber respeitar aqueles que não fazem parte da maioria, saber respeitar as suas ideias, posições, opiniões. Falta cumprir-se o tão famoso Estatuto da Oposição, que temos vindo a pedir, ao Executivo, conforme é visível nas Actas da Assembleia, desde Fevereiro, e que cujo relatório deveria ter sido entregue até ao final do mês de Março. Estamos em Outubro… e já pensamos é em pedir o do ano vindouro… e não se pense que se trata de mesquinhice, trata-se isso sim de fazer valer os direitos que temos, como todos os cidadãos deveriam fazer o valer os seus, sendo que a participação cívica e política é um deles.


Assim, repito o repto que temos vindo a lançar a todos os Munícipes, para que acompanhem as sessões da Assembleia Municipal e nos façam chegar as suas ideias e os seus problemas. Estamos sempre ao vosso dispor, sendo certo que “a Democracia faz-se a partir do confronto de opiniões, do pluralismo democrático e do respeito mútuo, na certeza de que da discussão nasce a luz, surgem ideias e constrói-se o futuro.”





[1] in Dicionário Enciclopédico de Língua Portuguesa – Selecções dos Reader’s Digest, Publicações Alfa, Lisboa, 1992.
[2] e 3 Discurso da Bancada Novos Rumos, na Sessão Solene de Tomada de Posse da Assembleia Municipal.

quarta-feira, julho 26, 2006

"Cidadanizar"

2005 foi proclamado pelo Conselho da Europa como o Ano Europeu da Cidadania pela Educação. Os objectivos passariam por criar uma cidadania activa, procurando melhorar as sociedades democráticas e promover os Direitos Humanos. No entanto, há que lembrar ao cidadão que ele é detentor não só de direitos, mas também de deveres. Cumpre ao comum cidadão ser leal para com a sua Pátria, para com o seu Estado, não se eximir às suas obrigações (sociais, fiscais, económicas, associativas, políticas, entre outras). É essencial que o cidadão, ao reivindicar os seus direitos, não se esqueça de exaltar também o cumprimento dos seus deveres.
Por outro lado, é essencial que o Estado e as entidades públicas saibam também ir de encontro ao cidadão, às suas necessidades e anseios. É nesse sentido que cada vez mais se fala em descentralizar. E descentralizar não significa criar novos e ramificados pólos que em nada contribuem para a aproximação às pessoas, descentralizar, por vezes, passa pela execução de ideias bem simples, mas bastante profícuas.
Foi neste sentido de descentralizar e de procurar aproximar mais o munícipe aos poderes autárquicos que a bancada da Coligação “Novos Rumos” (PPD/PSD-CDS/PP) da Assembleia Municipal apresentou uma proposta que visava descentralizar as sessões daquele órgão. A nós parece-nos que, mais do que cumprir aquela que era uma bandeira eleitoral nossa, é salutar levar aquele órgão deliberativo às diversas freguesias que compõem o nosso concelho. É benéfico que a Assembleia Municipal e os seus membros visitem as onze freguesias do concelho e conheçam os problemas e desejos das populações. É certo que as sessões da Assembleia Municipal são públicas e que, cada vez mais, mais gente vem assistir às mesmas, ao salão nobre do edifício dos Paços do Concelho, também a convite da Sra. Presidente da Assembleia Municipal, que sempre viu com bons olhos esta interacção entre eleitos e eleitores, há que frisar, em abono da verdade. Também é certo que muitas competências da Câmara têm sido descentralizadas para as Juntas de Freguesia ao abrigo de protocolos, aliás, com o apoio dos partidos da oposição e, muitas vezes até, por iniciativa destes. Isso só mostra que estamos no bom caminho, quando apelamos à descentralização. Todavia, pensamos que mais gente atrairemos às sessões da Assembleia Municipal se as realizarmos alternadamente nas diferentes sedes de freguesia ou eventualmente até em outras localidades que não sejam sede de freguesia mas que reúnam condições logísticas para poderem ser palco destas sessões. É nossa intenção, grupo “Novos Rumos” tornar estas assembleias num fórum privilegiado de discussão e debate dos problemas que assolam o nosso concelho. Foi com muito pena nossa e alguma estupefacção que vimos esta proposta ser rejeitada pela maioria socialista deste órgão. A nossa proposta concreta, apresentada na sessão ordinária de 30 de Junho, era descentralizar as sessões da Assembleia e realizar já a próxima sessão ordinária, que terá lugar em Setembro, na freguesia do Vimeiro, da qual sou aliás natural. Esta sugestão decorreu da necessidade do município pôr os olhos, neste momento e nos próximos tempos, nesta freguesia histórica que terá em 2008 a comemoração do bicentenário da Batalha do Vimeiro. Seria uma boa freguesia por onde começar esta iniciativa de descentralização. Cumpre ainda informar os prezados leitores que esta proposta foi sujeita a votação, tendo sido rejeitada, com os votos a favor da nossa bancada, com a abstenção da Presidente da Assembleia Municipal e com os votos contra da bancada socialista. Nem mesmo os dois membros da bancada socialista que são naturais desta freguesia, um membro da Assembleia Municipal e o Presidente de Junta de Freguesia, votaram a favor ou sequer se abstiveram, não tendo, por isso, sido da vontade de ambos que as sessões da Assembleia Municipal sejam descentralizadas e o sendo começassem pela freguesia do Vimeiro. Pessoalmente, tenho pena; em nome da bancada a que pertenço, tenho mais do que pena. Não é uma questão de protagonismo desta ou daquela freguesia, uma vez que todas seriam visitadas. É uma questão de não ter medo de abandonar a arena habitual destes confrontos e de visitar novos palcos, é uma questão de querer levar aos munícipes as discussões e os debates que acontecem esporadicamente na sede do concelho. Não estamos satisfeitos com esta rejeição, nem tão pouco deixaremos de acreditar que esta é uma boa iniciativa; por enquanto aquilo que nos alenta é que cumprimos as intenções que demonstrámos em campanha, perante todos quantos nos ouviram e nos acompanharam.

Fernanda Marques Lopes
Jurista
Membro da Assembleia Municipal da Lourinhã
pela Coligação “Novos Rumos” (PPD/PSD-CDS/PP)

quinta-feira, julho 06, 2006

Comunicado aos "galos franceses"

Na final, serei italiana até ao tutano... vamos dar spaghetti a esses franceses...

O árbitro foi uma preciosa ajuda. Devo dizer que Portugal jogou com um a menos... ou serão três...? Não que tivesse sido expulso algum jogador nosso, até porque o árbitro apostou na economia de cartões, devia estar a guardá-los para depois brincar em casa com os filhos, enfim... O que aconteceu foi que o árbitro e os fiscais de linha alinharam com a França. Tantas faltas cometidas contra nós por marcar, cartões por exibir e obviamente... qualquer jogador nosso que estivesse na grande área francesa estava "naturalmente" (ou não...) fora de jogo.
Não se trata aqui de mau perder, trata-se de ver as coisas com realismo. Portugal pode ser pequenino de tamanho ou de poderio, mas é grande de alma, a nossa raça lusitana é linda! Contra tudo e todos, contra imprensas manhosas e ocas, maledicentes, contra "trancadas" nos jogadores e apupos ao Cristiano Ronaldo, batemo-nos como os lutadores e heróis que somos. Estou orgulhosa da nossa prestação!
Força Portugal! Conseguiremos, pelo menos, um lugar no pódio, o 3º é nosso, por direito e merecimento!