Quinta-feira, Dezembro 22, 2005

Natal

Amigos, a todos desejo verdadeiramente um Santo e Feliz Natal e um Próspero Ano Novo de 2006. Obrigada a todos aqueles que fazem parte do meu mundo!

Segunda-feira, Dezembro 12, 2005

Ex-combatente insulta e agride Mário Soares em Barcelos

Um antigo combatente da guerra colonial insultou e agrediu hoje em Barcelos o candidato a Presidente da República Mário Soares, apelidando- o de "vigarista" devido ao seu papel na descolonização.
O homem, cuja identidade é ainda desconhecida, mas que aparentava ter 55 anos e trazia uma boina verde com símbolos militares, aproximou-se de Soares quando este passeava pelas ruas do centro da cidade, e proferiu vários insultos.
"Oh vigarista! Vai assaltar o Banco de Portugal para dar dinheiro aos turras para matarem portugueses", disse o homem, que trazia na mão uma edição do jornal "O Crime" que noticiava o assalto feito em 1967 pela Liga de Unidade e Acção Revolucionária (LUAR) à dependência da Figueira da Foz do Banco de Portugal, que terá rendido 38 mil contos.
Visivelmente nervoso, o ex-combatente aludiu de novo ao dinheiro roubado do Banco de Portugal, dizendo: "Vai mas é tratar dos teus prédios".
O indivíduo aproximou-se de Mário Soares e atingiu-o com um murro no braço, tendo o candidato sido afastado pela segurança.
Após o incidente, a comitiva de Soares abandonou o local, tendo o candidato dito aos jornalistas que não iria apresentar queixa-crime contra o agressor, por se tratar de alguém "que aparenta ser atrasado mental".
De seguida, a comitiva teve de mudar de rumo para não se encontrar, de novo, com o ex-combatente, que ainda estava no local e rodeado de amigos, aparentemente disposto a insistir nos insultos.
Poucos minutos depois, e como a acção de rua se azedara, a comitiva de Soares abandonou o local.

Fonte: Lusa

Recrimino obviamente qualquer acto deste género, não é através da violência ou do insulto que progredimos... mas não posso deixar de compreender a ira do dito senhor... que foi tão gentilmente qualificado como "atrasado mental"...e só então me apercebi que há os atrasados mentais.. e depois há aqueles que lucraram com a vergonhosa descolonização que Portugal fez...

Sexta-feira, Dezembro 09, 2005

Para decifrar uma Mulher...

'Pois': É a palavra que a mulher usa para acabar uma discussão quando ela decidiu que tem razão e quer mandar calar o homem, o qual ainda não entendeu quem tem mesmo razão.

'Cinco minutos': Se ela está a vestir-se, significa meia hora; "cinco minutos" só quer mesmo dizer "cinco minutos" se o homem pediu "cinco minutos" para ver o fim do jogo antes de ajudar na cozinha, levar o saco do lixo à rua, ou reparar o interruptor.

'Não é nada': Deve ser interpretado como a calma antes da tempestade. Significa"alguma coisa", e é sempre um sinal de alarme. As discussões começam com"Não é nada", e costumam acabar com "Pois."

'Faz como quiseres...': É sempre um desafio, nunca uma autorização. O homem corre perigo sério se tentar fazer como quer!

Suspiro profundo: Na realidade não é uma palavra, mas uma afirmação não verbal que os homens raramente compreendem. O suspiro significa que o homem é um idiota, e que ela pergunta a si mesma de que serve perder tempo a discutir com um idiota quase sempre a propósito de "nada"

'Está bem': É uma das afirmações mais perigosas que uma mulher pode fazer a um homem. "Está bem" significa que ela vai pensar bastante antes de decidir como e quando o homem vai pagar o mais caro possível pelo seu erro.

'Obrigado...': Não é aconselhável tentar saber o que ela está a agradecer. O homema cabará por descobrir qual o preço a pagar.

'Como queiras': É a maneira de uma mulher chamar "seu $@&#%[1]!" ao homem.

Terça-feira, Dezembro 06, 2005

Viagem

“Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida que temos,
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).

Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação.
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.”

Miguel Torga


Uma das coisas mais belas é estarmos, em cada dia, prontos para largarmos amarras e enfrentarmos o Mar, como marinheiros destemidos de uma mesma embarcação.

No fundo, todos sentimos que é importante aprendermos certas coisas na Vida para conquistarmos os nossos Sonhos, para crescermos por dentro, conhecermos o Mundo para além dos livros e do que já sabemos.

E os que me conhecem contam comigo para os ajudar a governar a embarcação... Estarei sempre aqui! Estaremos aqui, na proa do barco, cortando as ondas sem desanimar, prontos a partir de cada vez que as correntes e as marés nos fizerem parar!

Agora, quero ver-te mais forte do que nunca, ajudando-me a ser forte e a dar-te a força que precisas. Foi dessa Força que vivemos desde que nos conhecemos, lembras-te?

Sabes, acho que somos como o Sol e a Lua... Tu és o Sol... vivo da tua Luz, que reflecte e brilha em mim... eu sou a Lua. Dou a volta ao Mundo para te ver e quando penso que consigo te alcançar, eis que me surpreendo e te vejo já do outro lado. Sei que nunca te alcançarei, mas também sei que danças enfeitiçado ao sabor do meu Brilho e que não há dia que não me observes. Vivo ofuscada e maravilhada pela tua Luz, dás cor e calor aos meus dias, enquanto eu trago o Brilho à penumbra das tuas noites.

Que este pedaço de silêncio tenha sido o cais de partida para este nosso reencontro...

Boa Noite...

Sexta-feira, Dezembro 02, 2005

Vidas Interrompidas

Quatro de Dezembro de 1980. Este é um dia que ficará para sempre na história e na memória de muitos, apesar dos vinte e cinco anos que o separam dos dias de hoje. Foi neste dia que Francisco Sá Carneiro, Adelino Amaro da Costa e outros cinco ocupantes do Cessna faleceram, na sequência do polémico “acidente” de Camarate. Esta é uma tese que não chegou a convencer, mas que, infelizmente, tem vindo a vencer. Mas não é esta a questão que quero abordar neste artigo.

Sá Carneiro merece o mais justo tributo, que, do meu ponto de vista, seria o apurar da verdade acerca dos trágicos acontecimentos que conduziram à sua morte e dos demais companheiros. Mas enquanto isso não for feito, resta-nos recordar quem foi este Homem.

Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro nasceu na Invicta a 19 de Julho de 1934. Com apenas 22 anos, concluiu o curso de Direito, na Universidade de Lisboa, e principiou de imediato a sua actividade profissional, exercendo advocacia na comarca do Porto.

No ano de 1969, foi eleito deputado independente à Assembleia Nacional, na Ala Liberal, durante o regime de Marcello Caetano, em nome da defesa dos direitos do Homem, da instauração de um regime democrático e da efectivação das liberdades públicas. Verificada a óbvia ausência de condições políticas para prosseguir o seu projecto, renunciou ao mandato a 2 de Fevereiro de 1973. Todavia, Sá Carneiro nunca baixou os braços, destacando-se, após este período, com a sua coluna no jornal Expresso "Vistos", cuja publicação foi rareando, pelas crescentes dificuldades impostas pela censura.

Em Maio de 1974, em conjunto com Francisco Pinto Balsemão e José Magalhães Mota, Sá Carneiro fundou o Partido Popular Democrata (PPD), hoje Partido Social Democrata (PSD) e assumiu as funções de Secretário Geral. Foi também ministro-adjunto do Primeiro Ministro no I Governo Provisório, chefiado por Adelino da Palma Carlos. Em 1975 foi eleito novamente deputado à Assembleia da República, mas não chegou a exercer o seu mandato, desta feita por motivos de saúde. No ano seguinte, voltou a ser eleito deputado e nesse mesmo ano assumiu a chefia da bancada parlamentar do partido do qual fora um dos fundadores. E Sá Carneiro continuava em clara ascensão. No IV Congresso do partido, em Outubro de 1976, foi eleito presidente do PPD, contudo a convivência dentro do partido nem sempre foi pacífica, pelo que, em Novembro de 1977, e na sequência de convulsões internas, demitiu-se do cargo de presidente. No ano seguinte, mais precisamente em Janeiro, no V Congresso, realizado no Porto, afastou-se voluntariamente de qualquer cargo directivo, tendo sido eleito para o Conselho Nacional.

Em 5 de Julho de 1979, Sá Carneiro, em colaboração com Freitas do Amaral, do Centro Democrático Social (CDS), e Ribeiro Teles, do Partido Popular Monárquico (PPM), além dos Reformadores, formou uma coligação pré-eleitoral que designaram de Aliança Democrática (a famosa AD), a qual liderou com o objectivo de derrotar a "maioria de esquerda", nas eleições legislativas intercalares de Dezembro de 79, após a dissolução da Assembleia da República. O seu propósito foi bem sucedido e, após conseguida a maioria absoluta da AD nessas eleições, Sá Carneiro foi chamado a formar Governo, tornando-se Primeiro Ministro.

Todavia, mais uma vez, Sá Carneiro entra em rota de colisão, não concordando com a recandidatura de Ramalho Eanes e afirma que se demitirá do cargo de Primeiro Ministro, caso este seja eleito. É de frisar que a AD apoiava o general Soares Carneiro.

Nas vésperas das eleições presidenciais, quando se deslocava para o Porto, onde iria participar no comício de encerramento da campanha presidencial, Sá Carneiro e Amaro da Costa foram vítimas de uma lamentável tragédia. Nesse dia, dois grandes vultos nacionais desapareceram do nosso quotidiano, levando consigo os projectos e as ideias que, por certo, implementariam e boa parte da continuação da estável alternativa que generosamente ofereceram ao país.

Sá Carneiro comungava dos mais saudáveis ideais, como a sua “inalienável fidelidade aos valores da liberdade, da democracia e da justiça”, tudo em nome de uma “luta em defesa da dignidade da pessoa humana e de um Portugal renovado, moderno e próspero” e definia a política do seu governo como sendo “por natureza humanista no projecto, portuguesa na raiz e europeia na vocação” e com o objectivo de “contribuir para a edificação de Portugal democrático”, através de um “processo de revitalização da sociedade civil” e do fomento do “reencontro entre o Estado e os cidadãos”. Almejava permitir aos Portugueses “ter consciência da sua identidade nacional e orgulhar-se de uma Pátria justa, pacífica e próspera”.

É dessa determinação que necessitamos agora, para a construção de um país mais justo, equilibrado e fraterno, na qual creio firmemente que a juventude terá um papel crucial. Há que romper com uma “cultura de esquerda” que nos vem, paulatina mas solidamente, invadindo e que não tem dado os melhores frutos, como todos temos visto; é agora o momento da direita em Portugal se afirmar e apresentar novamente ao país uma alternativa credível, como corajosamente o fizeram Sá Carneiro e os seus companheiros.

Questiono-me frequentemente do impacto que teriam tido estes homens no nosso país, se não fossem tão prematuramente roubados à vida. Camarate foi o roubo de um sonho que comandava Portugal!




As expressões em itálico são excertos do «Discurso do Primeiro-ministro, Dr. Sá Carneiro, na Apresentação do Programa do VI. Governo Constitucional»