terça-feira, janeiro 24, 2006

O Trigo e o Joio

Um novo ano começou. Todos nós voltamos à nossa rotina diária. Desmontam-se os enfeites de Natal, as luzes deixam de piscar, guardamos as figuras do presépio. E os desejos do novo ano? Será que os guardamos também? Eu não gosto de embrulhar os desejos, assim como embrulhamos tudo aquilo que serviu no Natal.

Um dos desejos que devemos manter é o de podermos sempre nos superar, tendo a preocupação de nos realizarmos e de com essa contínua realização pessoal trazermos algo de novo aos outros que nos rodeiam. Há actividades que são o espelho disto que falo. Uma dessas actividades é o voluntariado. Tive a oportunidade de participar, durante algum tempo, num grupo de voluntariado cuja coordenação também me coube. Foi muito gratificante tudo o que desenvolvemos. Outra dessas actividades é a política.

Se observarmos atentamente, a política, quando não é desvirtuada, não é mais do que uma forma de voluntariado, de nos darmos aos outros, mas, volto a frisar, quando não é desvirtuada, o que acontece, não raras vezes, infelizmente. Seria extremamente importante que algumas pessoas entendessem que a política é a ciência que estuda a arte de governar os povos e não de os aldrabar. E digo isto porque muita gente está desiludida com a política e com os seus agentes, para prejuízo daqueles que desenvolvem actividade política sem qualquer interesse que não seja o de contribuir para o progresso da sua terra.

No dia nove do passado mês de Dezembro, Dia Mundial das Nações Unidas contra a Corrupção, foi divulgado um estudo efectuado pela Transparency International (TI), uma organização não governamental. Segundo o mesmo, mais de cinquenta e cinco por cento dos portugueses inquiridos consideram que a corrupção afecta de forma significativa a vida política. Perante estes dados não podemos ser autistas e comportarmo-nos como se nada acontecesse. Quando dados desta natureza são revelados, deveríamos pensar e repensar o que tem sido feito e o que poderemos fazer para alterar esta situação. Ainda de acordo com Huguette Labelle, presidente da TI, "os partidos políticos são encarados como os mais corruptos" em quarenta e cinco dos sessenta e nove países abrangidos pelo inquérito, no qual foram ouvidas cerca de cinquenta e cinco mil pessoas. Já na sondagem efectuada em Portugal pela empresa TNS Eurotest, atrás dos partidos políticos, considerados como a instituição mais corrupta, surgem o Parlamento, a polícia, o sistema judicial, a administração fiscal, o sector privado e as alfândegas. As organizações não-governamentais e as instituições religiosas são apontadas como as instituições menos corrompidas em todo o mundo. Em Portugal, as Forças Armadas aparecem como a instituição menos corrupta. Um dado ainda mais preocupante é o de que Portugal acompanha o pessimismo revelado pela maioria dos inquiridos quanto ao futuro, pois trinta e nove por cento dos portugueses questionados pensam mesmo que a corrupção vai aumentar nos próximos três anos.

Apesar destes números, apenas dois por cento dos portugueses inquiridos admitiram ter subornado alguém no último ano, algo curioso, pois quem o faz não tem coragem de o admitir, ainda que seja para efeitos de uma sondagem, o que não deixa de caricaturar este nosso país, que lembra uma criança pequena que faz a travessura, mas não tem coragem de a assumir, com medo de ser castigada. Por outro lado, noventa e sete por cento negou tê-lo feito, enquanto um por cento não respondeu ou disse não saber, algo que nos leva a questionar se não sabem o que é corrupção ou se não sabem se a fizeram...

O que importa, no fim de contas, é podermos separar o trigo do joio. Já a parábola bíblica assim nos contava, em Mateus 13, 24-30. Seria bom que entendêssemos que esta interpretação continua extremamente actual. É algo que é necessário, para que as instituições se voltem a credibilizar, para que não pague o justo pelo pecador, para que se olhe com outros olhos para a política. Julgo que nisso a juventude desenvolverá um papel cuja relevância será crescente. É com contentamento que observo que uma parte significativa dos jovens de hoje conferem mais importância à actividade que poderão desenvolver do que ao cargo que poderão ocupar. A Política, para poder ser escrita com maiúscula, necessita de todos aqueles que não necessitem dela para sustento próprio ou por interesse ou capricho pessoal. É bom que todos tenham a sua actividade e carreira profissional próprias, independentemente de qualquer actividade política que desenvolvam nas suas terras. Só assim se poderá garantir o mínimo de imparcialidade, de independência, de competência. Só assim se poderá lutar contra a vergonhosa corrupção que assola os cargos públicos e enferma todo um sistema.

1 Comentários:

Blogger Macillum disse...

A corrupção e o tráfico de influências em Portugal advém sobretudo da Maçonaria.
E é fácil ver em que sectores de Portugal é que a maçonaria está bem estabelecida através da simbologia: as Folhas-de-Acácia, Simbolo Maçónico Internacional (SMI), surgem a enfeitar o Brasão de Portugal desde a Instauração da República, aquando a utilização deste na oficialização de documentos, dinheiro e repartições de Estado;
Vêmos um Compasso (SMI) no logotipo da Ordem dos Engenheiros;
Um Mocho (SMI) no logotipo da Universidade de Coimbra;
Folhas-de-Acácia, Livro-Aberto (SMI), Lamparina (SMI) e Mocho no logotipo da Ordem dos Advogados de Portugal;
Folhas-de-Acácia na Confederação dos Agricultores de Portugal;
Livro-Aberto e Águia olhando p/ nossa esquerda (símbolo imperialista e militarista) no logotipo da Universidade de Aveiro;
Círculo com ponto-ao-centro (SMI) no logotipo do Jornal "O Independente"...
Chamo tb a atenção para as Folhas-de-Acácia no logotipo do Fundo Monetário Internacional (FMI), na garra da águia do Selo Oficial dos E.U.A. e no logotipo da Organização das Nações Unidas (ONU)

macillum@gmail.com

7:16 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home