quinta-feira, abril 20, 2006

No Feminino

O Parlamento aprovou recentemente, na generalidade, um conjunto de normas que introduziram a discriminação sexual na lei. Neste caso, ao ser obrigatório que um terço das listas eleitorais seja composto por Mulheres, o sexo masculino está a ser negativamente discriminado. Numa sociedade verdadeiramente livre, sem discriminações, o direito a integrar listas partidárias deveria ser concedido a todos os cidadãos, sem quaisquer quotas! É certo que alguns argumentarão a necessidade de se espelhar no panorama político a existência de muitas Mulheres na sociedade. Para muitos trata-se de uma questão de proporcionalidade. Mas será esta a verdadeira questão?
Na Assembleia da República, com a aprovação destes projectos, alguns deputados pretenderam impor uma igualdade que se deve fazer com liberdade. Até há algum tempo, não era preciso dividir as listas eleitorais em Homens, para um lado, e Mulheres, para o outro. Não me parece que as Mulheres necessitem deste tipo de muletas para sobressaírem. Nunca me senti discriminada por ser Mulher, aliás, em muitos círculos, isso é uma mais valia, pela sensibilidade e humanismo que uma Mulher imprime num grupo. Também nunca me apercebi que qualquer Mulher fosse discriminada apenas pela simples condição do seu género. Mais, sempre fui defensora, isso sim, da méritocracia, isto é, cada pessoa deve ascender a determinados cargos por mérito próprio e não por imposição alguma, quer seja legal, como é o caso, quer seja de outra natureza. E pelo nosso mundo fora temos bastantes exemplos de Mulheres que venceram na vida sem a ajuda da filantropia socialista. Portugal também não foge à regra. O país está recheado de Mulheres de valor, nos mais diversos domínios: na Política, nas Artes, na Literatura, na Medicina, na Ciência, no Desporto, na Economia, em Gestão e num sem número mais de actividades. São Mulheres que venceram, que superaram Homens, sem ser necessária a tão apregoada “igualdade” socialista, que não é mais do que uma caridade mascarada. As Mulheres realmente eficientes e competentes não precisam de quotas. O que vai acontecer, ao abrigo deste preenchimento obrigatório de um terço das listas por Mulheres, é uma descredibilização do sexo feminino. Senão vejamos bem: como é necessário preencher a quota não se olhará tanto às capacidades da pessoa em questão, mas apenas ao facto de ser do sexo feminino. Inevitavelmente isto conduzirá a que ascendam a certos lugares pessoas não qualificadas e sem o valor que seria expectável, só porque são Mulheres e porque tiveram a tal alavanca que lhes permitiu, injustamente, ter preferência em relação a um qualquer Homem mais qualificado. Se nós Mulheres, quando somos mais qualificadas, não gostamos que Homem algum nos ultrapasse só por sermos Mulheres, também devemos ter o bom senso e não aprovar quando o contrário sucede. Questiono-me ainda porque será que só exigem quotas na política? Até imagino o que seria se o sistema das quotas fosse implementado noutras áreas… perdoem-me as feministas mais exacerbadas, mas seria o disparate certo. Ser Mulher sim, mas com dignidade suficiente para não necessitar de esmolas.

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