segunda-feira, outubro 15, 2007

Luta

Praia de Paimogo, Lourinhã




Por hoje chegou ao fim a minha luta contra o sono.
Tentei resistir, mas ele vem caminhando compassada mas certeiramente.
Eis que retiro a minha armadura, para descansar.
Se bem me lembro, hoje é já a segunda vez que dela me dispo e exponho as fraquezas do meu ser.
Pouso também a espada, porque desconheço o inimigo contra qual luto.
Depois o arco e as flechas.
Não pretendo atingir ninguém, para além de mim própria.
Honestamente, nem sei porque vou à guerra.
Talvez porque o meu feitio não me permite desertar, sem mais nem menos, nem desfalecer.
Da convicção não há fugas, nem desculpas, nem subterfúgios.
E sei que amanhã vou acordar e tornar a vestir a armadura, a embainhar a espada e a carregar o arco e as flechas.
Parto, mais um dia, para a luta, numa guerra que sei perdida.
Parto na ingenuidade e no encanto de talvez poder vencer uma batalha.
Ou duas.
Ou, quem sabe, embalada neste sonho, até mais.
Parto para a guerra que sei perdida, vencida.
Se desistisse não estaria a ser fiel a mim própria.
Lutando mantenho-me fiel ao que sou, arriscando-me a sair ferida da luta.
Mas não me interessa.
Amanhã bem cedo, quando o dia raiar em mim, sei que me vou levantar e armada parto para mais uma batalha.
Na face levo uma lágrima e no coração o sorriso de quem luta ainda por aquilo que sabe já perdido.


Vimeiro, 06 Julho 2007, FML




Foto de Luís Graça

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